Infância

Garoto, deixa a boneca. Filha futebol não!

Sobre as diferenças entre meninos e meninas, a ciência já descobriu que:

meninos apresentam níveis mais elevados de testosterona, o que estimula neles um comportamento mais agressivo que o das meninas;

desde o início, meninas controlam suas emoções mais que meninos. Eles choram mais quando estão tristes, enquanto elas dão preferência a chupar o dedo;

durante as conversas, as filhas ficam mais tempo olhando para os pais do que os meninos. Aos 4 meses, elas reconhecem mais rostos que eles;

meninas estão mais preparadas para construir relacionamentos e interpretar suas emoções;

meninos comunicam-se por palavras em 60% do tempo. Os 40% restantes são completados por barulhos feitos com a boca, reproduzindo ruídos de socos, carros, motos, aviões. Meninas praticamente só usam palavras e raramente imitam motores.

Como se vê, meninos e meninas são diferentes e apresentariam disparidades de comportamento ainda que criados na selva por gorilas, feito Tarzan. Até chegar a essa conclusão, a ciência consumiu décadas em debates, pois havia uma dúvida. Um segmento de estudiosos achava que as crianças não nasciam com diferenças cerebrais ou comportamentais perceptíveis. Na opinião deles, tal distinção se manifestaria apenas em decorrência das atitudes dos pais durante o processo de criação dos filhos. O debate não acabou, pois há grande divergência sobre o peso do DNA na determinação do “destino” comportamental da criança. Os estudos, no entanto, concordam em que a carga genética produz diferenças menores do que a carga cultural exercida pela criação.

Um trabalho feito nos Estados Unidos há alguns anos listou características associadas pelos pais aos recém-nascidos. E elas variam conforme o sexo. Meninas recém-nascidas costumam ser definidas pelos pais no diminutivo. Elas são “fofinhas”, “pequeninas”, “delicadinhas”. Já os meninos muitas vezes são descritos no aumentativo – “lindão”, “fofão”. Conforme as crianças crescem, diz o estudo, os pais – especialmente o pai – as estimulam a brincar com brinquedos específicos para cada sexo. O mesmo estudo descobriu que os pais passam mais tempo conversando com as filhas do que com os filhos, mas dão a elas menos autonomia do que a eles. Já em relação aos meninos, os pais reforçam o extravasamento de emoções, desde que não daquelas que possam ser tomadas como indicação de fraqueza. Na parte referente à conclusão, o trabalho sugere que os pais evitem tratar meninos e meninas de forma diferente. “Os pais acabam desenvolvendo uma angústia tremenda quando o menino é visto penteando uma boneca”, comenta o psiquiatra paulista Luiz Antônio Gonçalves, que trabalha há trinta anos com infância e adolescência. “E essa ansiedade é negativa.”

E por que os pais se preocupam tanto quando uma menina quer brincar com espada ou o menino quer pentear a boneca? Porque estão reproduzindo um raciocínio preconceituoso e tolo segundo o qual a exposição do menino ou da menina ao campo de interesses do sexo oposto pode influenciar a maneira como a criança irá manifestar a sexualidade no futuro. Para lidar com a diferença entre os sexos de forma positiva, os estudiosos recomendam a adoção de três regras simples. São elas:

Aceite seu filho como ele é. Não tente moldar seu comportamento segundo suas convicções pessoais, pois isso poderá gerar frustrações mais adiante. Seu filho não precisa gostar de luta nem sua filha tem de ser fã de maquiagem.

Não reforce as diferenças. Meninos dão preferência a jogos competitivos e meninas a brincadeiras cooperativas. Independentemente do sexo de seu filho, apresente-o aos dois tipos de entretenimento.

Não obrigue seu filho ou sua filha a brincar com crianças do sexo oposto. Nos primeiros anos de vida, tanto meninos quanto meninas preferem estar com crianças do mesmo sexo.

fonte: http://veja.abril.com.br/especiais/crianca/p_056.html

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