09. Não é só desigualdade de gênero

09.12.2011

Por Ligiane de Meira

Antes de começar gostaria de fazer uma observação: sei que essa é uma coluna feminista, mas as feministas não discutem apenas questões que envolvem os direitos das mulheres, envolvem também outras lutas como direitos civis e sociais na sociedade seja mulher, homem, heterossexual, homossexual, branco, negro, etc.

Quando se é professor, se convive com muitas realidades. Eu trabalho em um colégio de periferia aqui na minha cidade, distante do centro. E nesse contexto as histórias de vida são múltiplas.

Na convivência com adolescentes e crianças eu realmente comecei a confirmar que a desigualdade no Brasil é de cor. Há tantos educandos na escola, tantas histórias que fica difícil conseguir conhecer cada um. Mas com os poucos que tenho contato percebo essa desigualdade.

Os educandos que possuem uma qualidade de vida um pouco melhor, em sua maioria é branco. E os que têm maior dificuldade financeira, que não possuem dinheiro nem para comprar uma caneta, quem dirá um caderno, possuem uma cor diferente da branca.

Um dos meninos que fica no meu “mini-reforço” (chamo assim porque fico com eles das 17:20 até as 18:00, passando algumas coisas a mais de português, como gramática, escrita, leitura) me contou a história de vida dele. Sua mãe é faxineira, não ganha nem um salário mínimo por mês e sustenta ele que tem 12 anos e mais dois irmãos mais novos, sem marido, pois faleceu. E ele é o meu aluno mais dedicado. Possui muitas dificuldades, mas tenta se ao máximo, porque ele diz que sem estudo ele não vai conseguir ajudar a mãe dele.

Ele contou, que por causa da mãe não possuir estudo precisa trabalhar como faxineira diariamente e que pediu desculpas para ele, por não conseguir comprar um presente para ele no final no ano.

Ele não é branco, nem sua mãe, nem seus irmãos. E ele mesmo comentou que foi muito difícil de seus irmãos mais velhos conseguirem emprego por causa da cor, afirmando ele mesmo que a cor às vezes atrapalha.

Essa é a história de um. Quantas outras existem iguais ou parecidas, mostrando que a discriminação por causa da cor no Brasil é ainda muito forte. Infelizmente quem tem maiores dificuldades na vida são as pessoas com a pele diferente da branca.

As desigualdades nesse país ainda são visíveis. Seja ela de cor, de gênero, dificultando o desenvolvimento brasileiro. Acredito que apenas quando essas desigualdades forem superadas é que o Brasil realmente vai poder crescer ainda mais, pois todos terão as mesmas oportunidades, principalmente educacionais.

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