08. Meu corpo não é público

01.12.2011

Por Ligiane de Meira

Eu adoro muito o verão, tenho disposição para trabalhar, fazer exercício físico, sair mais de casa e principalmente usar roupas curtas. Eu odeio ter que ficar com um monte de roupas, não podendo nem me mexer direito, tendo que ficar quase inerte para não perder muito calor – porque é assim que eu me sinto no inverno, não faço nada, sou inútil.

Por esse fato, uso muito shorts, blusinhas, vestidos, dois motivos: por causa do calor e porque eu amo meu corpo, amo mostrá-lo. Por mais que meu corpo não esteja nos padrões que ditadura da beleza coloca – e eu “crio rugas” para o que as pessoas falam das minhas gordurinhas –, mostro sem maiores problemas.

Mas tem uma coisa que me deixa muito irritada com isso. Por eu me vestir com roupas curtas, muitos homens pensam que podem mexer comigo na rua, fazer piadas, como se isso fosse a coisa certa. Logicamente, se eu estou me vestindo assim, é porque eu quero que mexam comigo na rua.

O que esses homens não têm é a capacidade de entender que o corpo é meu e exijo respeito. Se eu quero mostrá-lo do jeito que eu quiser eu posso e não sou melhor nem pior por isso. Quero sair na rua e poder caminhar livremente sem ter um ser humano fazendo comentários sobre o meu corpo, sobre a minha roupa, sobre a minha postura.

Não é a minha roupa que mede quem eu sou, são as minhas ações. Não é porque eu uso roupa curta que sou menos competente que outras ou melhor que outras mulheres, só por não me importar com comentários alheios. A minha roupa apenas mostra a estação do ano que estamos. Não coloco roupas curtas para me chamarem de “gostosa” na rua, não preciso disso.

É tão corriqueiro que homens acham normal fazer isso, como se fosse sinônimo de masculinidade, que na verdade é sinônimo de machismo. Este, que não consegue compreender que a mulher tem suas próprias vontades, opções e escolhas que não dependem de uma opinião masculina, muitas vezes, nem quer essa opinião, apenas almeja o direito de andar da maneira que quiser, sem ser acusada de nada, julgada ou estereotipada.

Esse tipo de comportamento realmente me tira do sério, principalmente quando crianças o fazem, como aconteceu ontem comigo. Criança não aprende isso sozinho, está reproduzindo algo que já tinha visto alguém ter esse tipo de conduta e/ou apresentado pela mídia como algo normal, afinal todo mundo faz.

Essa falta de respeito com o corpo feminino não é de hoje e não é hoje que vai acabar, apenas com muita discussão, com as mulheres exigindo respeito que essa cultura, do corpo feminino ser público, pode mudar.

E tenho certeza que a maioria das mulheres odeiam esse tipo de comportamento.

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