06. Estereótipos e imaginação

18.11.2011

Por Ligiane de Meira

Eu me divirto muito com estereótipos. Quando comento com as pessoas que sou feminista, algumas acham que por ter essa visão da vida eu seria uma pessoa desleixada com o meu corpo, com meu jeito de vestir ou com meu cabelo.

A realidade é que não sou assim, muito pelo contrário, muitos amigos vivem dizendo que sou muito fresca por ter tantos cuidados. Eu concordo que muitas vezes eu posso exagerar um pouco, mas no fundo eu realmente gosto muito de me arrumar e cuidar de mim com cremes, fazer as unhas toda semana, sabonetes, perfumes, maquilagem e assim por diante.

O problema de tudo isso, é que muitas vezes não sou levada a sério por minhas idéias, capacidade intelectual e profissional. Por ter esse tipo de conduta, depois de alguns minutos de conversa muitas pessoas comentam que não imaginavam que eu tinha esse tipo de opinião. Quando isso acontece eu fico feliz, mas também fico imaginando como as pessoas que não conversaram comigo, qual impressão tiveram?

Esse tipo de Ideia é acompanhada de preconceitos de gênero, de etnia, de idade. A primeira impressão é a que fica como a propaganda comentava, nem sempre é a melhor, nem sempre é a que deve ficar. Estereótipos são criados e muitas pessoas se valem deles para classificar as pessoas, porém se faz cada vez mais necessário quebrar esse tipo de ideia.

No ano passado trabalhei em um colégio aqui da minha cidade que sofri muito preconceito. Sofri por ser jovem, por ser recém formada, por ser nova no colégio. Colocavam-me como uma pessoa que não tinha capacidade suficiente como professora e que, portanto, eu era inferior aos outros professores, não era menos experiente eu era inferior. E nesse preconceito não entrava apenas a questão de idade, entrava também a minha conduta e a minha roupa. Eu não poderia ir de blusa de alças, mesmo que não mostrasse nenhuma parte do corpo além dos braços e usasse o guarda pó por cima, porque além de ser jovem recém formada eu era mulher, mulher não pode mostrar o corpo, nem que sejam os braços. E assim, além de ser colocada como alguém inferior por causa da juventude, piorou quando eu coloquei uma blusa de alcinha, porque claro eu só queria mesmo era mostrar meu corpo.

Quando lembro disso dou risada, mas me lembro que sofri muito. Tudo por causa de uma imagem mal construída, colocando as pessoas em caixinhas, como se as pessoas não fossem únicas e originais.

Gostaria de compreender por que as pessoas formam pré-opiniões, muitas vezes, distorcidas das pessoas e não procuram conhecê-las melhor para desconstruir as impressões equivocadas que tiveram, seja de jovens, mulheres e assim por diante. Compreender para buscar alternativas e formas de quebrar com esse tipo de conduta, mas sei que isso só é possível com muita discussão, leitura e claro, vontade de construir um mundo mais justo.

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