05. Piadas sem nenhuma graça

11.11.2011

por Legiane de Meira

É impressionante como as pessoas não possuem noção do peso de suas brincadeiras e piadas. Quando se trata de piada sobre mulher e estupro é pior ainda.

Eu ouvi uma piada sobre prostituta: quando alguém estupra uma prostituta…

Desde então eu não lembro mais do resto, porque eu realmente não fiz
questão nenhuma de ouvir. Fazer piada com estupro para mim não tem
graça nenhuma, é uma agressão ao corpo, à pessoa, é uma coisa totalmente inaceitável.

Quando esse tipo de coisa acontece, eu fecho a cara e não consigo mais
interagir com o pessoal que fez essa piada, pior que todos acham isso normal como se fosse só mais uma piada, como a do Rafinha Bastos que comentou que mulher feia deve agradecer por ser estuprada.

Na questão dessa piada – que o resto dela, não me recordo muito bem –
perguntava se o estupro em uma prostituta era violação do local de trabalho ou algo do gênero.

Eu não consigo compreender como pode algo tão terrível ser encarado como normal e pior ainda ser colocado em uma piada, porque na roda só eu fiquei indignada. Outra questão é a condição da prostituta. O estupro não viola seu corpo, já que é público, mas viola seu local de trabalho, portanto não é algo tão ruim assim.  A vítima, a prostituta, não pode processar seu agressor, afinal é só violação do local de trabalho e nada mais.

Por se tratar de uma piada eu deveria dar risada, mas eu não dei e ainda falei que esse tipo de coisa eu não gostava e que piadas de estupros são absurdas.

Agora pergunte: alguém me entendeu? Lógico que não, porque eu sou a
feminista chata que leva tudo ao pé da letra e que em uma roda de amigos vale tudo, vale falar de racismo, de estupro, de mulher, sem maiores problemas.

O problema é que as pessoas não param para pensar que nas piadas é
que expressamos nossos preconceitos, que em piadas as pessoas precisam rir das desgraças alheias para serem felizes. E eu me pergunto: será que precisamos mesmo fazer piadas que falem de preconceitos para que nós sejamos felizes? Já ouvi tanta piada legal que não fala sobre preconceito étnico, sexual ou de gênero.

Essas piadas mostram o que mais está presente na nossa sociedade: preconceito, estupro como uma coisa cotidiana e assim por diante. Gostaria muito que as pessoas começassem a pensar sobre essas questões, que estupro não pode ser encarado como coisa cotidiana e que preconceito precisa ser desconstruído. Piadas desse nível devem ser sim combatidas e retiradas do nosso repertório, não só do nosso de todas as pessoas.

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Uma resposta para 05. Piadas sem nenhuma graça

  1. Me identifiquei muito com você ! Também sou a chata, sem senso de humor e que alguns diriam/devem dizer rapidamente “mal comida” (affe.). Também não aceito ouvir este tipo de coisa, encerro conversas e dependendo do caso, revejo se aquela pessoa merece a minha palavra em mais alguma ocasião. É um mundo muito esquisito, aonde algo tão violento como o estupro vira risada, é tão difícil pra mim entender como as pessoas não conseguem se colocar umas no lugar das outras e perceber que aquilo dói, machuca, fere, acaba com uma pessoa pra sempre. Morte não é só física, existem tantas maneiras cruéis de se matar alguém psicologicamente…Concordo plenamente que ao rir e fazer piadas assim estamos reforçando e dando legitimidade pra este tipo de violência. É algo pra ser se levado a sério. Ninguém merece passar por um estupro e ainda ouvir gente rindo de piadas que banalizam este tipo de violência. Além de revisar nossas ações, temos que, com urgência, repensar o modo como nos expressamos. Bjo!

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