03. A mulher sempre deve se dar ao respeito

28.10.2011

Por Ligiane de Meira

Esses dias eu estava conversando com um amigo meu sobre relacionamentos e como as mulheres se comportam em relação a isso. Ele como não queria relacionamento contínuo com uma mulher apenas, estava reclamando que parecia que as mulheres não entendiam isso, mesmo que ele explicasse com todas as letras que não queria ter um namoro sério as meninas pareciam continuar lutando para ter esse tipo de relacionamento com ele.

Além disso, outra coisa que ele reclamou é das meninas não conseguirem se soltar na relação sexual, que isso incomodava ele, pois ele não é apegado ao estereótipo de magreza “perfeita” repassado pela mídia, gosta mesmo é mulher que se sinta segura consigo mesma e que o seu tamanho não importa.

E isso me fez refletir o quanto nós mulheres somos bombardeadas com a questão da sexualidade desde pequenas. Lembro-me quando criança quantas vezes que minha mãe dizia que “menininha que se dá o respeito não pode sentar de pernas abertas”.

Quando o tempo foi passando a pressão foi aumentando cada vez mais e na adolescência piorou nos discursos, na casa, no colégio, reprimindo cada vez mais. Em casa minha mãe começou a falar o quanto a mulher precisa se preservar, que a virgindade é a coisa mais preciosa da mulher, que depois de perdida não consegue mais pegá-la e que os homens levam isso muito em consideração e que sem a virgindade eu não conseguiria casar.

Como esse discurso era pronunciado em muitos dias foi entrando na minha cabeça aos poucos, porém eu sempre questionava por que tinha que ser assim, mas minha mãe sempre respondia que “sempre foi assim” ou “porque sim”. Eu não aceitava muito bem, mas como ia argumentar com minha mãe? Poderia comentar sobre algumas coisas, mas argumentos aos 14 anos não são lá grande coisa.

Só fui criar argumentos realmente estruturados na faculdade, quando conheci Michel Foucault que trabalha com o discurso e suas origens, principalmente que não porque “sempre foi assim”, o discurso é formado e composto por intenções de uma sociedade ou grupo de pessoas. E a intenção de parte – talvez a maioria – da sociedade brasileira é reprimir a mulher, controlar suas ações e seu corpo.

O discurso repressor sobre a virgindade não deixou muito espaço para a liberdade sexual e foi tão eficaz que as primeiras relações não foram muito agradáveis, conseguindo me soltar apenas depois de muita leitura e reflexão sobre as discussões feministas que ajudam as mulheres a serem seguras de si e de seus corpos.

E com certeza isso não aconteceu apenas comigo e sim com muitas mulheres, inclusive com essas meninas que meu amigo comentou. Toda a repressão sobre nossos corpos, sobre nossa sexualidade é muito forte, sobre nosso comportamento é muito grande.

Todo o discurso não é feito apenas pela família, mas também pela mídia colocando as mulheres que se “preservam” como melhores que as outras, pelos homens machistas, que são a maioria, que não aceitam que as mulheres tomem a dianteira nas relações e muitos ainda acham que mulher precisa ser virgem para ser sua ou até em casos extremos não se manifestar na cama, não sentindo prazer.

Infelizmente isso ainda assola toda a nossa sociedade dentro de novelas, blogs, filmes, mas acredito que isso está mudando cada vez mais, principalmente com as discussões feministas. Espero que esse quadro se altere cada vez mais, caminhando principalmente para a real liberdade sexual feminina. Portanto, sejamos nós, mulheres, moças ou até mesmo meninas, capazes de assumir um papel sexual preciso e mais aberto na relação com nossos parceiros. Não seria autoridade a palavra, mas sim, igualdade. Que barreiras sejam quebradas ao tomarmos atitudes que possam aflorar no homem um outro olhar, menos machista e mais atencioso.

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