01. Apresentação

14.10.2011

por Ligiane de Meira

Antes de começar a escrever uma coluna sobre discussões feministas, interesses, perspectivas e anseios, resolvi escrever um artigo de apresentação e mostrar alguns pontos da minha caminhada para se tornar uma feminista que defende o direito das mulheres de unhas e dentes.

Acredito que eu, como muitas feministas, tive o exemplo de mãe dentro de casa. Minha mãe sempre defendeu uma ideia de que mulheres precisam aprender a se virar sozinha e que o homem não deve depender em tudo da mulher, criando eu e meu irmão de maneira igual. Claro, com algumas ressalvas principalmente na questão de liberdade sexual, mas minha mãe foi uma das pessoas responsáveis pela minha visão feminista, sempre sendo contra agressão à mulheres, chegando até a ser radical algumas vezes dizendo: “tinha que fazer o mesmo com ele, pra ver o quanto é bom, quem sabe sentindo na pele aprende.”

Ela sempre foi batalhadora e nunca teve vergonha de mostrar sua opinião, expressando sua força feminina através das palavras e da maneira de ser. Isso me incentivou ainda mais, pois ela como modelo feminino era o que queria seguir, mesmo que com algumas ressalvas, como a questão religiosa – porque minha mãe, assim como grande parte da minha família, é católica fervorosa e participante ativa da Igreja Católica.

Além da influência da minha mãe, meu pai também contribuiu e muito. Ele não possui uma visão machista da vida. Acompanhando minha mãe e com o exemplo da sua mãe, minha avó, sempre disse que mulher não precisa depender de homens, compreendendo que uma companhia faz bem, desde que seja respeitoso e trabalhador.

Com todos esses exemplos em minha família não foi muito difícil se criar uma feminista…

Mas isso não era suficiente. Eu desde pequena nunca consegui conceber a ideia de eu, por ser mulher, ter que fazer isso e menino não, ou porque só meninos poderiam subir em árvores e eu não, porque sempre só homens podiam jogar truco nas reuniões de família e, pior ainda, porque eu não podia discutir política?

A questão de não poder discutir sobre política sempre me incomodou. Apenas os homens da família e mais velhos tinham razão. E além de sofrer preconceito de ser jovem e “não saber nada sobre a vida” ainda sofria o preconceito por ser mulher. Afinal a vida pública de discussão não foi feita para mulheres.

Por esses problemas acabei fazendo faculdade de História, na qual meus estudos sobre as mulheres começaram a se desenvolver cada vez mais, trabalhando principalmente com questões sobre sexualidade feminina e a construção da maternidade.

Mesmo assim, apenas a faculdade de história não foi suficiente para aprimoramento como feminista, pois mesmo durante a faculdade ainda sofria com alguns problemas como aceitação do corpo, principalmente da intimidade. Foram as leituras de blogs feministas que me levaram a repensar minha postura quanto ao corpo, à sociedade, às construções sociais que comecei a perceber que nada é natural, que realmente as mulheres não nascem mulheres, se tornam, e que o mundo ainda precisa melhorar muito para conseguir a igualdade entre os gêneros.

Só através de muita leitura, discussões, fóruns e um fator principal, a Marcha das Vadias, que me tornei uma feminista quase que plena, buscando igualdade entre dos gêneros, discutindo principalmente liberdade sexual, construção social da mulher e direito absoluto da mulher sobre seu corpo.

Espero receber e-mail, comentários, sugestões. Adorarei discutir idéias e participar de fóruns, afinal se a comunicação não for uma via de mão dupla, tripla, quádrupla não tem porque comunicar.

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