02. Meninos e Meninas

17.04.2011

por Edmilson Lacerda

Eu não sou exatamente o que se pode chamar de um cara bom de memória, e pensar acerca do passado é um exercício bacana pra exercitar um pouco esta parte do meu cérebro um tanto quanto lerda, sonolenta e detestável. Não estranhem o detestável, porque é horrível esquecer o nome de alguém ou nunca saber o número do telefone ou o dia do aniversário dos pais. Então é detestável sim.

O que estava eu a falar mesmo? Ah, sim, sobre o passado.

Pois é. Voltei um pouco no tempo para situar o momento exato que enxerguei uma menina como alguém absolutamente diferente de mim.  E foi aos sete anos, na segunda série, quando eu fiquei abobalhado por uma menina ruiva da minha sala. Platonicamente eu a reverenciei durante todo um ciclo letivo, a namorei em segredo fervorosamente, sem que ela suspeitasse jamais das minhas elucubrações.

E como era antes disto? Eu acho que eu não tinha consciência de diferença de sexo. As meninas com quatro, cinco, seis anos não eram muito diferentes dos meninos que conheci nesta época. Na minha escola todos usavam o mesmo uniforme, e era mais ou menos corrente entre os pais deixar os filhos homens com aquele cabelo compridinho estilo Beatles, ou se pensar na minha mãe, talvez fosse melhor dizer que minhas madeixas estavam mais para Ronnie Von ou Odair José. Que seja!

Então, acho que não tinha esta coisa de meninos e meninas. Clubes do Bolinha e Luluzinha viriam muito mais tarde, lá pelos 9 ou 10 anos.

Tamanho e força também são coisas muito marcantes para os meninos, e nesta fase todos se equivalem, então não há restrição para elas nas brincadeiras. Uma menina poderia muito bem ser a líder do grupinho. E se vocês observarem a Turma da Mônica retrata esta fase muito bem.  A Mônica é mais forte, e isto lhe confere o direito de ser a dona da rua. O Cebolinha tenta através da “inteligência” lhe tomar o posto, mas a força é o que acaba por prevalecer. O mundo tipicamente masculino nesta fase é dominado, quem diria, também pelas meninas.

Porém, estou falando de crianças com até seis anos, e também antes do advento do futebol.  O futebol é um grande fomentador da separação entre os gêneros. E para alguns ele o será por uma vida inteira. Mulheres com maridos ou namorados fanáticos por futebol sabem o que estou dizendo. E o futebol é o álibi mais utilizado da história das traições brasileiras.

O futebol, este esporte criado lá para as bandas da Inglaterra, é o grande vilão de toda esta história.

Cheguei ao âmago da questão, precisei pensar em retrospectiva e buscar minhas memórias mais antigas para formular esta que é a minha grande contribuição para a humanidade:

Nós, os homens, somos bacanas. O futebol é que nos estraga e nos barbariza.

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