38. Alegríssimas a todos!

26.12.2011

por Edmilson Lacerda

Para todas as coisas há um tempo. Há um tempo para todas as coisas.

Eis-me aqui a pensar a respeito do tempo, este senhor implacável e que nunca se deixa enganar e tampouco esquece sua função. Imagino se ele usará o mesmo critério e rigor quando chegar à hora de acabar o tempo de si mesmo. Será que haverá o fim do tempo?

Se o fim do tempo não significar o fim dos tempos, até que gostaria de experimentar viver num mundo livre desta ditadura.

Os alunos não esperariam ansiosos pela hora do intervalo ou o fim das aulas. As crianças não precisariam interromper suas brincadeiras porque é hora de dormir. Nada de atrasos! Adeus aos despertadores! E os funcionários do mundo inteiro não teriam que bater o cartão ponto diariamente.

Sem a passagem das horas tudo seria sempre igual. Nada de cirurgias plásticas para disfarçar a idade. Todos seriam mais realizados e quem sabe mais felizes, pois sem a urgência que toma conta de nossas vidas, provavelmente nossas decisões seriam pautadas por nossas preferências.

Livre do tempo as coisas não acabariam, não teriam fim. E penso que isto seria uma coisa boa. Nada de despedidas ou mortes, nada de nostalgia ou saudade. O programa Mulheres de Segunda, por exemplo, não chegaria ao final.

Mas infelizmente é chegada à hora da despedida e de encerrar este projeto. Se por um lado não terei mais a obrigação de sentar em frente ao computador e escrever uma lauda sobre algum assunto semanalmente, por outro lado não terei o prazer de sentar em frente ao computador e escrever o que quer que seja, sabendo que muitas pessoas diferentes provavelmente vão ler o que escrevi e criar um juízo de valor, uma opinião sobre o que expus.

Parece óbvio que passarei por um vazio existencial após extinguir-se esta coluna. Vou sonhar com temáticas novas. Imaginarei a Giulia me cobrando o envio do e-mail antes do fechamento da edição e vou eventualmente sentar em frente ao computador e me preparar para escrever algo que não irá para o blog, um texto que já nascerá sem audiência.

Eu sei, haverá outras coisas pra minha filha se preocupar: carreira, trabalho de conclusão de curso, futuro. E de minha parte poderei dedicar mais tempo à tarefa de concluir meu livro. Talvez tenha chegado o tempo dele afinal.

Mas o blog terá sempre espaço no meu coração, porque foi algo que me dispus a fazer em conjunto com a minha filha. Cada um com seu jeito de encarar a vida, com suas ideias e suas crenças, mas respeitando a contribuição do outro. Amadurecemos um pouco mais a relação e se fosse só por isto já teria valido a pena.

O que mais posso dizer neste momento? Que sigam em frente, que sonhem bastante e que realizem tudo o que puderem nesta vida. Mantenham-se fiéis a si mesmos e encarem esta passagem como um passeio ao parque de diversões: Algumas vezes você estará no carrossel, outras na montanha russa e haverá também o momento do trem fantasma. Mas independente do lugar que estejas, lembre-se que é sempre um parque de diversões. Então divirta-se!

Feliz Natal a todos! E por falar em natal, estive numa cidade do interior do Paraná esta semana e um Papai Noel de uma loja de calçados estava com um microfone nas mãos e falava: “Ho, ho, ho! Feliz Natal! Hare Krishnas!”. Houve uma pausa, imagino que alguém tenha chegado ao lado dele e dito que ele estava falando errado Feliz Natal em inglês e que o correto era “Merry Christmas!”. Lição compreendida, o Papai Noel volta a disparar ao microfone: “Ho, ho, ho! Feliz Natal! Alegríssimas!”

Papai Noel muito engraçado aquele! Mas pensando bem até que ficou bonitinho.

Feliz Natal! Hare Krishnas e Alegríssimas a todos!

 

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2 respostas para 38. Alegríssimas a todos!

  1. Luiz Alceu disse:

    Sem querer ele pode ter criado uma forma brasileiríssima de perpetuar o Feliz Natal…

  2. Edmilson disse:

    É verdade Luiz Alceu! O “Alegríssimas” ficou muito bom mesmo! E eu o usarei daqui para a frente. O idioma não é estanque, ele muda a medida que se incorporam novas expressões e significados novos para palavras antigas. A lingua é viva porque é falada, e o português é pródigo nesta flluídez, nesta criação de termos novos.
    Abraços!
    Edmilson

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