33. The Beatles

21.11.2011

por Edmilson Lacerda

Falar de Rock and Roll e não falar dos Beatles é simplesmente impossível. Poderia até traçar uma linha no tempo chamada AB/DB (Antes dos Beatles, Depois dos Beatles), de tão fundamentais e icônicos que eles foram para toda uma geração. Influenciaram no jeito de se vestir, no cabelo, enfim no comportamento dos jovens durante a década que existiram como grupo e também após o desaparecimento da banda.

Esta importância não passou despercebida ao líder da banda. John Lennon em um comentário nada humilde no auge da fama disparou que “os Beatles eram mais famosos que Jesus Cristo”. Em parte, diria que ele tinha razão, mesmo que esta declaração tenha sido pinçada de um contexto maior, propositadamente, para causar polêmica.

A verdade é que eles demarcaram um tempo.

No campo artístico propriamente dito eles foram pioneiros, fazendo sucesso com suas composições. Antes deles era muito raro alguém tocar músicas de própria autoria. Elvis Presley, por exemplo, nunca compôs uma música. Depois dos Beatles, o artista que não cantasse suas próprias canções era visto como limitado.

Estes quatro rapazes de Liverpool, os ou “fab four” como a imprensa os chamava, ajudaram a criar o que hoje todo mundo conhece como show business. Quando começaram tinham que ralar, fazer muitos shows, porque os direitos autorais eram muito pequenos. O artista assinava contrato para ganhar menos de um centavo por disco vendido. Com os Beatles não foi diferente. Em Hamburgo, na Alemanha, foram mais de 800 horas de palco e no Cavern Club em Liverpool, foram nada menos que 275 apresentações.

Mas eles venderam tanto disco que conseguiram enriquecer mesmo com os pequenos royalties inicialmente negociados. E depois, é claro, assinaram contratos milionários.

Também foram a primeira banda de rock a apresentar-se em estádios, chegando a tocar para 55.000 pessoas. Novamente mudança de paradigma, porque depois deles os artistas de primeira grandeza passaram a adotar como padrão apresentações em estádios.

No auge da carreira era tanta exposição, tanta entrevista, gravações de filmes e participação em programas de TV, que era um milagre os caras conseguirem tempo para compor, quiçá criar uma obra maravilhosa, com quase 200 músicas. No início as músicas eram simples, com rimas singelas falando de amor e coisas típicas de adolescentes. Mas, na medida em que foram amadurecendo, as cancões foram ganhando ritmos e estruturas melódicas completamente novas. E as letras ganharam profundidade.

Duas passagens legais merecem ser comentadas aqui. Uma delas diz respeito ao primeiro encontro de Lennon e Bob Dylan. Lennon foi criticado pelo americano por escrever letras bobas demais. Dizem que após este encontro passou a se preocupar mais com as letras e com a mensagem que elas deveriam transmitir. Em outra ocasião o mesmo Lennon descobriu que uma escola em Liverpool estava utilizando as letras das músicas dos Beatles em aulas de gramática e de interpretação de texto. Ele então imediatamente compôs uma música completamente sem sentido para desconcertar os professores. Surgia a bela e intrigante “I am the walrus”. Para quem não sabe, walrus significa morsa e morsa para algumas culturas significa a morte. Ele estava dizendo que era a morte. Depois que a banda acabou, ele deu entrevista que se enganara, e que a morsa era na verdade Paul. Coisas de John.

Em 2008 estive em Liverpool. Ao passar pela imigração fui interpelado pelo policial que me questionou o motivo da visita a cidade. Respondi prontamente: “Viemos conhecer a terra dos Beatles”. Na verdade, além de conhecer queria entender aquele lugar e procurar respostas para o surgimento dos Beatles.

A cidade é acolhedora e o fato de ser portuária trouxe muita interação entre ingleses e irlandeses e um povo bastante low profile. Lá, ao pedir uma informação, você pode receber uma resposta longa de quem quer realmente ajudar. Aproveitamos a estada e fizemos uma excursão chamada Magical Mistery Tour , que passa por Strawberry Fields, Penny Lane, pela igreja que John e Paul se conheceram, pela casa que John viveu com a sua tia e que a mãe foi atropelada em frente, pela casa onde George Harrison viveu a infância e coisas do gênero. O final da excursão é em frente ao Cavern Club, onde fomos premiados com uma noite de Beatles, com uma banda cover maravilhosa e um público saudosista e simpático. Saímos de lá chorando de emoção as duas da madrugada.

Pude em poucos dias entender um pouco daquele lugar e imaginar a juventude destes quatro garotos fabulosos. E lembro da Camila comentando: “Ninguém pode ficar doente nesta cidade, porque não tem uma farmácia. É só pub e restaurante!”.

É verdade! Pub, restaurante, bons hotéis e Beatles! Precisa mais?

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