29. Nosso estranho jeito de ser e pensar

 24.10.2011

por Edmilson Lacerda

Na ausência do meu time em campo, torço pelo mais fraco.

Na política voto pelo jingle mais bacana e pelo discurso mais inflamado. Votar com a maioria me dá muito conforto também.

O pobre sempre me causa maior empatia do que o rico. Tendo a pensar que a riqueza veio de forma desonesta ou foi herdada. Mas se eu adquirir algo, foi de próprio suor. Não entendo muito este negócio de mérito ou meritocracia. O acúmulo de capital é um fardo para o ser humano. Dizem até que uma casa é nosso túmulo em vida.

Apóio movimentos como o MST, porque afinal de contas o Brasil tem muita terra improdutiva. Não penso que a terra pertence a alguém, e que ele pode fazer o que quiser com ela, inclusive não cultiva-la. E sequer avalio que por detrás deste tipo de movimento há gente que nunca morou no campo e que comercializa as terras que se apropria, se engajando em outro movimento a seguir, ganhando dinheiro as expensas de uma causa. Aliás, acho tudo isto muito inverossímil. Se alguém está engajado em um movimento é porque realmente tem boas intenções.

Acredito que o governo deve prover a população com educação, saúde e segurança. Mas não me interesso por política. Vivo minha vida de forma tranqüila, e faço minha parte. De vez em quando presto atenção em algum político que se justifica por algum ato equivocado descoberto pela opinião pública, e fico realmente tocado quando ele se diz perseguido por detratores e opositores e que tudo não passa de calúnia. Pobre homem! Deve ser tão infeliz.

Pago os impostos e não sei o que fazem com o meu dinheiro. Mas deixo pra lá, tem tanta coisa pra fazer e pensar. Só me chateio às vezes em que preciso estacionar o carro em vias públicas e sou coagido a pagar pedágio para aqueles guardadores, que nem se dignam a vir conversar comigo. Apenas assoviam de longe, fazendo o sinal de positivo em reconhecimento do seu estado de autoridade naquela jurisdição. E eu pago para evitar que eles façam alguma coisa errada com meu carro. Se não tenho o dinheiro, abro o vidro e digo: “Desculpe amigo, vou ficar te devendo!” Isto me causa vergonha, então procuro ter sempre dinheiro no carro para estes cidadãos. E além do mais, quando volto, o carro está sempre inteirinho.

Tenho dó quando vejo no noticiário um bandido com cara de arrependido, pois acredito na boa natureza humana. A mesma regra se aplica aos políticos. Mas não estou querendo associar uma classe à outra, de forma alguma.

Penso que sou católico e que devemos passar por provações e privações para chegar ao paraíso. Isto justifica meu baixo salário e a pindaíba que eu estou. O meu fracasso tem explicação transcendental. Sou pobre porque é assim que tem que ser. E reclamar não é legal, porque tem gente em pior situação e é mais feliz.

Dinheiro não trás felicidade e aqueles que falam que o dinheiro compra felicidade não podem estar falando sério. São brincalhões e desprovidos de crença.

Estes dias eu estava a responder a um amigo e lhe disse: “Graças a Deus!”. Acredita que ele me perguntou o que é que Deus tem a ver com isto? Como assim? Deus tem a ver com tudo. E tem tanto a ver com tudo que domingo fui à missa, na terça tomo uns passes no terreiro perto de casa e na quinta participo de uma mesa espírita. Deus está em todos os lugares, então convém que eu o siga.

Mas a minha esperança mesmo é ganhar na Mega Sena. Não por mim, mas pra ajudar a parentada. Quem sabe um dia?

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