23. Sobre seios, peitos e mamas (não necessariamente nesta ordem)

12.09.2011

por Edmilson Lacerda

Ah, os seios femininos. O que dizer destas maravilhosas criaturas? Algumas vezes tímidos e recatados e em outras circunstâncias tão abusados. Diria até que eles têm personalidade e vivem uma existência quase independente do corpo da mulher.

Aliás, eles foram devidamente alforriados nos movimentos feministas do final da década de 60. Dizem até alguns céticos que o episódio da queima dos sutiãs nunca aconteceu de fato, mas a verdade é que desde então as mulheres puderam optar entre deixá-los livres das amarras opressivas ou amparados e uniformizados em alças e formatos mais ou menos padronizados.

Os jovens machos agradeceram à liberdade de expressão conquistada pelos seios. Como não lembrar de um belo par deles perfeitamente delineados em uma camiseta branca molhada em uma tempestade de verão não programada?

Os seios são versáteis e se adaptam rapidamente as circunstâncias. Quando o apelo é sexual, eles logo se empinam e se exibem orgulhosos. Alguns mais moderninhos se turbinaram. Foram para as mesas de cirurgia e ganharam próteses de silicone. São chamados de peitões e o nome lhes cai muito bem.

São sempre motivos de assunto, seja nas páginas de revistas sensacionalistas em que beldades famosas são flagradas com os seus a mostra, ou em programas de TV em que aparecem seminus. Ninguém passa incólume ante a demonstração de volúpia de um belo par de seios.

As mulheres desde a juventude se preocupam com os seus peitos por serem juntos demais, separados demais, bicos apontando para o chão ou para o céu, bicos exageradamente grandes ou inexistentes, formas pequenas e assimétricas, formas grandes e arredondadas. O seio em sua anatomia tão peculiar contribui e muito para a formação da personalidade das garotas.

Mas quem pensar que peito é somente um “corpinho bonitinho” vá logo tirando o cavalinho da chuva. Fique sabendo que dependendo do momento ou do estímulo, eles também podem ser vistos de forma respeitosa e reverente. Deixam de ser peitos e passam a ser mamas.

O processo de crescimento e preparação dos seios em uma mulher grávida é lindo. Eles crescem, ficam vistosos e maduros. E o momento que o bebê encontra a mama de sua mamãe é o ápice da existência dos seios. O bebê não conhece a sua mãe pelo rosto e sim pelo cheiro do peito e seu formato. Intuitivamente ele suga a procura de alimento e a mama generosa fornece o leite.

Entretanto, nem tudo são flores na vida dos seios.

Eis que depois de toda uma convivência com seus peitos algumas mulheres recebem a notícia de que um deles ou ambos estão doentes. Dá até para imaginar o impacto que a noticia causa nelas. Aquela parte do corpo tão importante para formação de sua identidade, o seu cartão de visitas, o acalanto e o alimento de seus filhos e o objeto de desejo e paixões ao longo da vida de repente com problemas.

Câncer de mama. Puxa vida! Que coisa!

Como lidar com este fato? Posso sugerir algo diferente? O que fazemos quando um amigo fica doente? A gente visita, dá apoio, demonstra carinho e confiança em sua recuperação. Alegria é sempre bem vinda. É assim ou não? Por que então não fazer isto com os seios? Afinal foram amigos inseparáveis ao longo da vida.

O melhor a fazer é levá-los imediatamente ao médico, apoiá-los na jornada de exames e tratamentos, ficar alegre e confiante independente dos problemas, para que seus seios não desanimem. Demonstrar amor por eles e os acariciar nos momentos mais duros. Estas medidas vão ajudar e muito na luta contra a doença.

A gente faz tanta coisa aparentemente sem sentido nesta vida: colocar lentilha na carteira, dar três pulinhos em ondas, bater na madeira para espantar o azar, não apontar o dedo para uma estrela pra não dar verruga, colocar um pedaço de lã na testa do bebê para parar o soluço. Por que não tratar os peitos como amigos numa hora difícil?

Pense nisto!

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