20. Uma nova ordem mundial

Estamos vivendo uma época histórica e caótica. Assim como a Revolução Francesa delimitou o fim da Idade Moderna, suspeito que este período da humanidade represente o fim da Idade Contemporânea. Ainda falta um evento realmente impactante para que a data seja definida com exatidão, mas os sinais estão por toda a parte de que este dia está próximo.

Em 2008 o mundo sofreu uma crise econômica devastadora, com a quebra de diversas instituições financeiras. A desconfiança se alastrou rapidamente por todos os países, causando estragos na economia global.

Neste ano outra crise,  motivada pelo déficit público de diversos países que possuem dívidas estratosféricas e não tem capacidade para pagá-las. Países da Europa e os Estados Unidos são os mais afetados. Mais alguns trilhões de ativos fantasmas desaparecerão da economia mundial.

Os governos anunciaram cortes em seus gastos como medida de combate ao déficit. Em função da redução do investimento público, centenas de milhares de empregos foram ceifados na Europa nos últimos três anos e nova onda de demissões está ocorrendo neste momento. Além disto, vários benefícios sociais serão cortados como medida de contenção. A situação é semelhante nos EUA.

A resposta não tardou.

Muitas cidades da Inglaterra, dentre elas Londres, tiveram dias de guerra civil, com depredações, saques e incêndios. O estopim foi a morte de um negro por policiais, mas se sabe que a revolta revela tensão social. O poder público declarou que se trata de fatos isolados, tentando minimizar o problema, mas o alto índice de desemprego e corte dos planos de assistência à população são as causas mais prováveis.

Na Espanha ocorrem manifestações contra os políticos. O povo acredita que eles não os representam e tampouco criam medidas que os beneficiem. Apesar de ser um movimento social liderado por uma juventude muito instruída, porém sem oportunidades de emprego, famílias inteiras estão se engajando no movimento. Pedem o fim da corrupção e o respeito pelos direitos básicos como saúde, educação, emprego, participação política, habitação, cultura e acesso a bens de primeira necessidade.

Em Bruxelas, os protestos reuniram milhares de trabalhadores, com reforço de manifestantes de outros países, como Alemanha, Reino Unido, e Polônia. Há atos públicos marcados para outras tantas cidades e países. O tema é o mesmo: descontentamento pelo anúncio de cortes de gastos públicos.

As pessoas não agüentam mais pagar pelos erros do setor público e privado. Não querem mais ser marionetes de um sistema que elas não criaram e que as penaliza sempre. Não há confiança nos governos e nos políticos.

Estamos presenciando uma manifestação legítima, maior que as fronteiras de um determinado país e sem uma característica racial. Há um clamor por mudanças, envolvendo pessoas de várias partes do mundo, ou seja, uma massa heterogênea de descontentes.

O modelo capitalista tal como ele é hoje já não inspira confiança. As empresas não garantem estabilidade, e os governos falharam em sua missão. Os políticos legislam em causa própria, sem pensar nos eleitores e suas demandas.

O que virá daqui pra frente? Ninguém sabe. Arrisco dizer que uma nova ordem mundial surgirá dos escombros deste modelo fracassado. Talvez a configuração política e territorial não seja mais tão importante no futuro e realmente uma aldeia global se instaure. Cooperação social e divisão de recursos entrarão na pauta desta nova economia. Empresas coexistirão com cooperativas gigantescas, todas ainda visando o lucro, mas a busca por este lucro e sua divisão é que devem mudar. Maior conscientização e respeito pelas diferenças, sem espaço para governos isolados.

Será a concretização de um sonho imaginado e traduzido em versos por John Lennon: “Imagine que não existam países, não é difícil de fazê-lo. Imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz, sem necessidade de ganância ou fome, uma irmandade humana. Imagine todas as pessoas compartilhando todo o mundo.”.

Os historiadores do futuro poderão chamar esta fase de Era Democrática ou Utópica.

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2 respostas para 20. Uma nova ordem mundial

  1. Lucas Molinari disse:

    Aqueles que ainda acreditam no capitalismo são os donos de empresas e a midia de massa – sendo uma empresa – que passa para o recptor a visao de seu interesse e nao um real debate. A crise é reflexo de uma economia neoliberal, e o Estado alimenta isto dando bilhoes aos bancos e empresas e cortam gastos da educação, saúde.
    Para uma economia funcionar e se movimentar perfeitamente a maioria da população tem que ter dinheiro para gastar. É uma coisa obvia. Se o dinheiro que as grandes corporações ganham fosse dividido igualmente entre os trabalhadores este podem comprar o que produzem. Quem trabalha no chao de fabrica da volks nao consegue comprar o carro que ele mesmo fez.
    Precisamos urgente pensar em uma nova forma economica mais colaborativa e humana.
    Enquanto os magnatas, causadores desta crise, estao preocupados com o saldo um pouco menor em sua conta bancaria milhares de trabalhadores estao desempregados e preocupados com o que irao comer amanha.

    parabens pelo texto!

    • kelly disse:

      Parabens, concordo com suas certeiras palavras, mas como mudar esta realidade? como fazer a populacao se unir com um mesmo proposito. Dar um basta a nosso situacao.

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