15. O retrato de um Brasil novo

por Edmilson Lacerda

18.07.2011

Crescimento anual na casa de dois dígitos, inflação controlada, mercado interno pujante embalado por uma classe média ascendente. Segundo estimativas do governo, a Classe C brasileira representará uma população de 114.000.000 de pessoas até 2014. Apesar dos constantes escândalos políticos, nossa democracia está sólida, a avaliação de risco Brasil tem sua melhor avaliação desde 2009, por conta de uma política econômica de crescimento sustentável e um melhor controle fiscal. Segundo nosso Ministro da Economia, Guido Mantega, o risco de o Brasil deixar de pagar suas dívidas é menor do que o dos Estados Unidos.

O fato é que a maioria das nações desenvolvidas não conseguiu passar incólume pela crise de 2009.  O Brasil, com sua mistura de economia de livre mercado e governo protecionista e intervencionista, parece que encontrou uma forma mais equilibrada que as nações do primeiro mundo. O governo interferiu na economia, concedendo incentivos fiscais para setores como automóveis, linha branca, e na construção civil. Lula, então Presidente, foi à frente das câmeras e disparou: “A crise é tsunami nos EUA, e se chegar ao Brasil será marolinha”.  O mercado interno continuou aquecido, e realmente a crise chegou, mas não com a força destruidora que se anunciava.

Nos últimos dois anos continuamos nosso círculo virtuoso. Nosso país está na moda.  Não é a toa que tivemos a visita do Obama, inclusive se esforçando para falar algumas palavras em português. Artistas de renome como Paul McCartney, U2, Madonna hoje fazem questão de dar suas caras por estas bandas. Olimpíadas no Rio de Janeiro, Copa do Mundo do Brasil, candidatura a uma vaga permanente do Conselho de Segurança da ONU, são eventos que fazem parte do processo de ascensão brasileira no cenário internacional.

Porém, temos um imenso desafio pela frente. Melhorar nossa infra-estrutura. O Brasil precisa de estradas decentes, aeroportos que funcionem, soluções em sistemas de transporte para os grandes centros, oferta de moradias para uma camada da população que elevou sua renda e está ávida por melhores condições de vida.

Já estamos presenciando uma mudança no cenário dos centros urbanos. A construção civil está superaquecida. Mas eis que surge um imenso gargalo: falta mão de obra qualificada. E não estou falando apenas da construção civil, mas de grande parte dos setores da economia. Contratar hoje está muito difícil.

Precisamos formar profissionais em áreas técnicas e científicas. Temos um déficit de 20.000 engenheiros por ano no Brasil. Porém, a cada 50 formandos, apenas um é de engenharia.  E este é apenas um exemplo.

Outro exemplo? A refinaria Abreu e Lima da Petrobrás localizada em Pernambuco tem cerca 10% de analfabetos funcionais entre os 17,5 mil funcionários, e cerca de 30% não terminaram o ensino fundamental.

Mas há uma luz no final deste túnel. As mulheres estão se juntando aos homens e engrossando as fileiras dos profissionais de área técnica.

Recentemente li que a preferência das mulheres ainda é por carreiras voltadas para as ciências sociais e humanas, com destaque para a área da educação. Todavia já há uma mudança em curso: dos 100% de matriculados em cursos de engenharia, as mulheres já representam mais de 25%. Como as mulheres têm maior índice de conclusão de cursos superiores do que os homens, 62% contra 38%, logo haverá canteiros de obras repletos de mestres e engenheiras do sexo feminino.

O preconceito ainda existe é claro, e o desafio será de superá-lo rapidamente. O Brasil precisará de tantos profissionais qualificados quanto puder, não importa o sexo. Uma nação se faz de homens e mulheres, ou de mulheres e homens.

Há poucos meses visitei um canteiro de obras a trabalho. Fora convocado para participar de uma reunião com os engenheiros responsáveis pelo empreendimento. Havia cinco pessoas na sala, três homens e duas mulheres.  O que me chamou a atenção imediatamente foi a propriedade com que elas falavam dos problemas da obra, as ações tomadas, e também a forma com que tratavam a todos os funcionários do canteiro. Comentei com um colega que as duas me pareceram mais competentes que os outros três engenheiros. Ele imediatamente concordou comigo.

Não há profissão masculina ou feminina, isto é um paradigma ultrapassado. Temos exemplos e mais exemplos de gente competente em diversas áreas do conhecimento, independente do sexo.

Se você tem talento para alguma coisa, siga seu coração e seja feliz. O Brasil agradece.

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