12. Divagações

 

27.06.2011

Por Edmilson Lacerda

 

Quando me coloquei a disposição para escrever uma coluna no “Mulheres de Segunda”, o fiz por vaidade. Sabia que o programa era bom em seu nascedouro, havia ali uma ideologia, uma forma de pensar e de realizar que mais cedo ou mais tarde apareceria através de seu conteúdo. Queria fazer parte disto, e propus escrever uma coluna semanal. Meu argumento: escrever um texto leve, com pitadas de humor, para quebrar um pouco a seriedade dos temas que passariam a ser apresentados a cada segunda-feira.

Mas diferente do Rei Salomão, que concluiu que tudo era vaidade, e que a vida não tinha significado, como quem corre atrás do vento sem nunca conseguir alcançá-lo ou agarrá-lo, consegui encontrar propósito nestes textos. Ainda que por vaidade tenha começado este projeto, não foi por vaidade que o mantive.

Pra começo de conversa não sabia quão difícil era escrever uma crônica. Se isto já é difícil, mais difícil ainda é versar sobre um assunto pré-determinado. Dá para entender um pouco desta dificuldade ao assistir um destes programas para novos cantores, onde a cada semana eles ensaiam um estilo diferente. Ver talentos sertanejos esforçando-se para interpretar um samba ou vice-versa é de sentir dó. Muito esforço e pouco resultado. Normalmente ganha a competição aquele que conseguir uma trajetória mais equilibrada, o que for mais camaleônico e carismático.  Assim como estes intérpretes que vencem as barreiras dos estilos musicais, o cronista tem que ter versatilidade se quiser cativar o leitor. Mas há um dilema: precisa ser versátil, mas não pode perder o estilo. Senão soa fake.

Ao tentar ser apenas engraçado, estava fugindo ao meu estilo. Não estava funcionando! Uma amiga chegou a pedir que escrevesse poesias, porque minhas crônicas eram ruins e não acrescentavam ao leitor quaisquer sentimentos. Eram apenas percepções sobre a minha vida. Ela conhecia minhas poesias, e por isto fez este comentário. Resumindo, ela disse que como cronista eu era um excelente poeta. Por quase meio segundo pensei em atirar a toalha e desistir. Se a esta altura a vaidade ainda fosse o principal motivo de participar do projeto, teria desistido ou cedido à tentação e escrito uma poesia. É melhor ser aclamado do que ser criticado. A crítica machuca ao mesmo tempo em que te endurece e te dá novas perspectivas.

Houve uma mudança, aceitei minhas limitações. Os textos passaram da primeira pessoa para a terceira e a leitura leve cedeu lugar a um texto mais denso, mais irônico e observador. Deixei de lado a obrigatoriedade da piada, e tenho gostado do resultado.

Não sei onde este negócio de escrever irá me levar, mas acredito que o vento é favorável. Sou um aprendiz, e quanto mais eu pratico, melhor o resultado.

Se o vento é favorável, O “Mulheres de Segunda” é um barco muito sólido onde posso exercer meu ofício. Há um plano de navegação bem definido, e os programas melhoraram muito desde sua primeira postagem. Apesar de não possuírem recursos, patrocínios, anunciantes, ou qualquer forma de ajuda, duas estudantes de jornalismo do terceiro ano estão dando o seu recado, criando um estilo próprio de comunicar e de lutar por uma causa. Se vão continuar este projeto por mais um mês ou mais um ano não importa. Elas já deixaram sua marca.

E fazer parte desta história é um grande barato. Pura vaidade!

2 respostas para 12. Divagações

  1. Minoru disse:

    Olá Edmilson!
    Parabéns pelo texto.

    Minoru

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