Lugar de Mulher é na Política

24.05.2011

Por Dilcélia Queiroz

Apesar de representarem 51,8% do eleitorado brasileiro, a participação das mulheres no cenário político ainda é tímida. A representação feminina não consegue nem mesmo preencher a cota mínima de 30% de candidatas ao Legislativo. Mesmo assim, com a eleição da primeira mulher para a presidência da República e o aumento expressivo no número de mulheres ocupando cargos elevados no governo federal, temos uma mudança no quadro de representação política. Esses avanços refletem diretamente na igualdade de gênero: de um lado essa maior participação é um passo decisivo para criar políticas públicas voltadas para as mulheres; de outro lado também tem uma importância simbólica, ao familiarizar a sociedade com a ideia de mulheres no poder.

Nas últimas eleições para a Câmara dos Deputados, o percentual de candidatas passou de 13% para 21%. Mas esse aumento se traduziu apenas muito modestamente nos resultados das eleições. Hoje são apenas 45 mulheres em meio a 513 deputados, ou seja, apenas 8% de representação feminina. No Senado o índice sobe para 13%, mas ainda é inexpressivo. O porcentual de mulheres na Câmara e no Senado brasileiros é um dos mais baixos da América Latina e do mundo.

A criação da cota de 30% para mulheres candidatas nos partidos não garantiu a efetiva participação feminina na vida política. Um dos motivos desse fracasso é que o país não adotou simultaneamente o sistema de lista fechada nas eleições. A lista fechada obrigaria que, a cada três nomes, os partidos indicassem obrigatoriamente uma mulher com condições reais de ser eleita. Com o sistema de lista aberta, muitas mulheres são incluídas na disputa apenas para figuração. Além disso, os partidos não são punidos quando não cumprem a exigência legal.

Além de essa estrutura partidária impedir que mais mulheres entrem na política, outros fatores também colaboram com a falta de interesse, por parte delas, em mudar esse quadro. As mulheres não são educadas para ocupar espaços públicos. Na educação familiar, religiosa e até mesmo escolar, as meninas são educadas para o ambiente privado. Reforçando a visão sexista de que a mulher deve ser passiva, reservada, graciosa e delicada. Só os meninos são estimulados a exercer liderança e ocupar espaços públicos.

Essa visão está tão enraizada em nossa cultura que até as mulheres acabam exercendo preconceito contra si mesmo e preferem votar em homens. Existe um conceito inconsciente de que política é algo masculino. Em vez de tentar mudar o poder, a mulher acaba não valorizando a si própria. Por isso, apesar de termos uma população majoritariamente feminina, temos uma participação de mulheres na política tão inexpressiva.

A democracia deve ser aprendida e exercida por todos. No caso das mulheres e de outros segmentos excluídos, a verdadeira democracia requer o acesso ao poder político. O Brasil cidadão precisa ter uma maior representação feminina. E a emancipação efetiva só será realidade quando atingir todas as mulheres, em todas as classes sociais. Enquanto houver violência doméstica, discriminação no trabalho fora do lar e abusos sexuais, nenhuma sociedade poderá dizer que a igualdade de gênero foi alcançada. Por isso, as mulheres precisam ter uma presença em massa no Parlamento para imprimir sua marca na política nacional.

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