O príncipe encantado

Esse tema foi para mim algo interessantíssimo, pois cresci como uma garota sonhadora cujo maior desejo do mundo sempre foi encontrar o homem da sua vida, ter filhos e cuidar da família. Nunca tive grandes ambições profissionais e isso não significa que sou estagnada não. Quando falo em grande ambição profissional digo em termos de me imaginar no futuro uma grande empresária que trabalhará das 8:00 as 22:00 ganhando um salário excelente, tendo reconhecimento pelo meu sucesso, usando roupas de grife e viajando pelo mundo a negócios. Realmente, esse não é meu ideal de felicidade, longe disso. 

Meu ideal de felicidade, já que estamos falando de ideais (homem ideal – o príncipe encantado, no caso) é encontrar um bom homem que me faça feliz, ter uma casinha confortável, cuidar das minhas crianças,ler para elas antes de dormir, levá-las na escola, preparar uma comida gostosa e sair trabalhar em algo que me traga satisfação pessoal e felicidade. Chegar à noite em casa e mesmo em meio a bagunça das crianças, o cansaço meu e de meu marido, deitar na cama e agradecer a Deus por ser feliz e estar fazendo diferença na vida dos que me cercam, enchendo eles de amor.

Sim, sou antiquada. Nesse ponto sou bem antiquada e até certo ponto, dependendo do ângulo pelo qual se olha meu sonho ideal, sou até anti-feminista. Nada disso, sou feminista sim, mas uma militante ciente do que quer para si e das diferenças entre homens e mulheres, as reais diferenças, não as vulgarizadas como desculpas para falhas como mencionei em outro texto.

Para mim não existe príncipe encantado mesmo. Doeu descobrir isso lá pelos meus 20 e poucos anos e agora cada vez tenho mais certeza que esse ser não existe além das páginas dos contos de fada e dos romances de Jane Austen. Aliás, Jane Austen desenha em seus romances príncipes encantados que não são príncipes e sim homens ideais que qualquer mulher sonharia em ter ao lado, mas sinto dizer, eles também não existem.

Foi um momento de decepção mesmo na minha vida descobrir que o ideal não existe, pois eu sou, na definição de alguns vários amigos e amigas que me conhecem desde a infância, uma princesinha. Amo cor de rosa, maquiagem, vestidos florais, bichos de pelúcia, cartas, recito poesias, falo poesia sozinha pra mim mesma, amo escrever e choro ao ver filmes tanto de romances felizes como aqueles que falham ao extremo. Sou completamente hipersensível e chorona e meio frágil como boneca de porcelana derramando lágrimas pelo mínimo conflito, mas sou forte como uma aliá (perdão, mas como um touro não expressaria todo meu amor a família dos elefantes, meus animais favoritos que traduzem bem essa fragilidade e força que habitam em mim)

Bem, depois de ter descoberto a realidade de que nenhum personagem da Jane Austen ou príncipe dos contos bateria na minha porta e me levaria diante de Deus para abençoar nosso casório, resolvi encarar a vida com uma dose mais alta de realidade. Principalmente hoje, onde os homens, infelizmente por culpa até de algumas mulheres que confundiram nossa liberdade com libertinagem total, não respeitam nem consideram muito sentimentos e lágrimas de uma mulher.

Leitora assídua de romances épicos e filmes antigos, vejo a diferença no tratamento com as mulheres de 1940 pra cá. Coisas simples como proteger da chuva, abrir a porta do carro, tratar com respeito, sem dirigir-se à ela como cara, mano, velho e afins, a delicadeza nos gestos, viraram todos motivos de riso, hoje em dia isso não é coisa de macho. Macho é aquele que trata a pontapé e se você não gostar, azar, arranja outra.

Pois é, com toda essa água fria em cima da princesinha sonhadora ela tornou-se uma mulher realista que tem um conceito de príncipe encantado propriamente dela, propriamente meu e que para mim nada tem de machista e sim muito feminista equilibrada, que sabe até que ponto as diferenças homem – mulher se completam e não invadem o espaço e/ou direito um do outro.

Meu príncipe encantado é um homem forte de caráter, com uma fé inabalável em Deus, que trabalha feliz sabendo de sua missão no mundo, respeitador, que sabe ser gentil sem se achar fraco, que sabe amar sem se achar tolo, que sabe se guardar sem se achar idiota perante os amigos, que sabe controlar seus impulsos em prol da mulher amada, que sabe amá-la e ouví-la, um homem que sabe conversar e discutir sem gritar, bater porta, xingar, falar ofensas a mulher que ama.

Um homem que honra sua esposa, é fiel a ela, pois sabe a importância que ela tem, que ama seus filhos e brinca com eles, que tem momentos de família reunida e realmente gosta deles, que quer ter momentos com a esposa para namorar, que nunca esquece de conquistar dia após dia.

Um homem assim terá ao lado dele uma mulher que o respeitará e o tratará como um príncipe encantado e ele terá nela uma princesa. Sem joguinhos, simplesmente serão pelo Amor.

Meu felizes para sempre não é um conto de fadas, é um conto de homem e mulher e uma vida comum.

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